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Mostrando postagens de 2020

Ela partiu ||

  Carrego a dramaturgia  do ofício no peito  Ao lado inverso do fardo  Laudo do verso cardíaco na ponta dos dedos  Pedestal do como  tudo migra aqui dentro  Meu teto escorre na pia  com o desalento  Alívio de um parto com teu gosto na boca A partitura da parte  repartindo lentamente. ~JuhCruz

3°ato (LAUDO)

[Eu tenho uma doença na coluna, a de fazer crônica] As entrelinhas não são visíveis  ao olho nu  O amor escancara  Arregaça as vidraças  Escreve no cravo pra fazer sentir  Na missa dos poemas  e alguns socos no estômago A vida tem desses tropeços e cartas anônimas  Quintanas recolhem os cacos da estante quebrada Nossos olhos se beijam antes dos lábios Entontece esse ponto que parte  com pressa de pintar alguns quadros  O corpo andrógino escorre farto Devora cada fatia das faltas  Nosso encontro é o karma  Mistura de ressaca no copo  e a sede em êxtase no tato O fascínio no instante toca  o colapso da ruptura dos traços Poetas anunciam o laudo  Deveras morrer pra  descansar as dores do mundo nas costas. /JuhCruz

2°ato (Carta ao tempo com pressa)

Mesmo que as sólidas estruturas molhadas desse peito estirado  se partissem em incontáveis acasos e desencontros fadados Em suma constância ,ainda haveria partituras estilhaçadas ao som de Tim maia  Por entre as cartas e fichas na mesa  correspondentes da poesia a entropia e o efêmero  O desacato no desacerto  Inspirado na peça dos 3 atos numa  dessas tardes ensolaradas que tanto fazia chover por dentro  Colocara pra secar no quintal,próximo as camisetas floridas  e os amores atrasados De fato,entregaria cartas ao tempo pra tentar fazer as pazes  Só para deixar bem claro que jamais escolheria não sentir cada ato  Pulsa pelo último suspiro de excesso  na perícia dos átomos  No imerso do nosso a(mar) Que declama o 3°ato [naufrágio por uma tempestade no peito rasgado] /JuhCruz

1°Ato (O desacato)

O desacato no pulo da torre, Foi embriagar-se no vasto encontro dos olhos  Pelas trilhas que sucedem o desejo que comporta Aperta essa falta que tenta descrever no verso  Recolhe os corações partidos e as conveniências avoadas nos galhos  Despida de si com as as pernas suspensas Pula de teimosia em anseios  por caricatas confidências trocadas Sente estreito por passar pelas frestas  Costura os suspiros e a imensidão dos bem-aventurados  O amor desacompanhado compele além das vestes Reveste o molhado do beijo  e o úmido do corpo que vira copo Uma doença grave na coluna  Diagnóstico:       [ Cronista das entrelinhas em cada desacato          Tentou escrever ao tempo a         confusão de um presságio ] /JuhCruz

Ela partiu

Aos beijos dados  e constituídos Relações breves  e corações partidos  De cada pedacinho estirado ao chão Recolho com as mãos de tanto ter sentido Sinto muito  Sinto tanto  E não importa em quantos estilhaços se parta  Se ela já partiu ao som de Tim Maia  E nunca mais voltou  /JuhCruz

Escombros da praga XIX

Morei por um tempo com o peito rasgado em forma de tragédia  Foi uma época difícil  Composta com os grandes mármores  do isolamento e da ausência  De cara crua no imerso  Sem toque,só verso  Reeducados a emergir com a mudança brusca na sociedade  Sentir ser transmutavel Reconectar o amor além da matéria  Tomar um porre de doses ofegantes de dolorosas preces Com um corpo morno entre beijos  e olhares nada breves  Atravessar mergulhada numa grande revolução na vida e nos afetos  Reintegrei nos vínculos da cidade de pedra Com os corações partidos,olhares solitários e mecanismos de defesas  Amanhã começo em um novo emprego Gostaria que as memórias que me assombram  não me visitassem Deixarei as portas escancaradas  Entreabertas com os escombros da superfície pós-catástrofe. ~JuhCruz

Samba no a(mar)

E lá vem ela,estou de olho nela  Bela sereia no samba de enredo  permeando o excesso  Nunca prometeu ficar preferiu morar em meus versos  Pra onde vai ,ninguém sabe Embalada pelas curvas de um corpo esculpido E um peito estirado Por cada paladar insaciável do (a)mar Em cada borda consumida entre mastigar pra sentir o sabor e te devorar em detalhes  Caso escolha embarcar na sinfonia desse imerso fadado  Seja imensa consigo e se despeça das vestes pesadas  Fique descalço com a lua , Tome uns drinks e sambe à vontade. ~JuhCruz

TUA

Nossos corpos possuem o ângulo  de seduzir no benefício da dúvida  Atua como um quadro abstrato  de uma pintura renascentista  Uma tragédia greco-romana pela transgressão carnal do toque afetivo Um evento pra atravessar essa ponte que chamei de entropia Desperta desordem cômoda enquanto  aguarda um gole deste beijo sabor poesia  Toca-me com maestria Me convida pra sair qualquer dia  Furta meu sorriso  Que quando te vejo  me dilata a pupila  Por um nó na goteira  de estar à deriva  Versa essa manifestação sincera  de dois corpos em sintonia  Vem,mas não desperdiça nenhuma só linha Desenha,rabisca  Repinta essa tinta que arrisca esse amor desatado entre nós duas  Que nos quatro cantos do mundo  Mesmo quando sou minha, ainda  sou toda tua. /JuhCruz

Pedra no sapato

Há uma pedra no sapato  Acontece como no bilhete perdido  Ou a perca dos detalhes Passo firme desenfreado  Dar de cara com a porta escancarada, mas entreaberta com as falas  A ponta pé fui entrelaçada entre trilhos e tralhas  Se com uma dor na coluna se levanta todos os dias  Talvez seja o peso da crônica e os cativos olhares descontrolados  Ela entra sem nem pedir muito espaço  Um pedaço de pedra no sapato já pode fazer um grande estrago Trago de bala clava nos tragos e taças  Ficamos para o por do sol ,para o luar e a singela saudade  Morando no peito rasgado de cada afinidade Somos poesia cósmica de poeira desacompanhada. ~JuhCruz

Giselda

Sim,elas cresceram umedecidas e aquecidas pelo nosso amor Se esbarraram entre os caules e os acasos Entre cuidar do girassol E a perca dos detalhes Entre as pétalas delicadas e a saudade Por entre o seco das idas E as vindas intensas em tardes Um peito vasto em vaso rasgado Respingando entre tombos e levantes com o joelho ralado Instruído como o amor subindo em cima da árvore Desgovernado como aquele tal bonde em alta velocidade Vida em risco na letra  Por um rascunho de verso no bolso  A pobre Giselda, se pintou em nobres telas aquarelas nas entrelinhas de nossos toques sufocados. ~JuhCruz

Quarentena

Moro dentro de um corpo com o peito rasgado e o desejo de Afrodite  Entrelaçada pelo olhar pejorativo dos corações partidos e os escombros da superfície  Composto com os grandes mármores gregos e construído com as janelas abertas e as portas encostadas  Encontra na extremidade da carne um amor desacompanhado Se senta atrasado pra tomar café na cama, mas no outro dia por perder as contas de quantos amores perfuraram o corpo rasgado  Se vão extasiados por muito menos que uma quarentena. ~JuhCruz

Perigosa

Quantos versos cabem dentro de uma história?  Se eu me propor a escrever sobre a gente  Quanta paz eu deveria pedir ao tempo pra te trazer de volta? Não é sobre retorno essa joça  É o contorno do teu corpo em sinfonia revolta  Como instrumental de beethowen  Quebrando tudo de dentro pra fora  Os estilhaços agudos Eu te senti por contínuos segundos  Nunca quis ser rotina sem prosa  Poética e perigosa Eu já disse  Eu já disse e repito eufórica : Não deturpe o perigo  Ele capacita quem pode arriscar  E aleija quem desiste no meio da rota. ~JuhCruz

Estrago

Trajeto estreito o amaciar dos corpos Perfura a crosta do tecido,rasga o peito por detalhes  Ultrapassa as barreiras mescladas  Tempera o amargo do paladar nublado e assume o desejo suspenso dos beijos que não foram dados Entrega flores perfumadas;arreganha a saia da moça;tira o cinto dos homens e chora em bancos dos transportes metropolitanos  Estreito como andar na ponta do pé no vão do outro  Quadros instropectos nas paredes de cactos,piso com os pés suspeitos e calados  Não se preocupe com os tragos,apenas com o que trago na desordem  O olhar penetra a carne pra dar sustancia ao estrago. ~JuhCruz

Bonde

Meu amor por você era um bonde em alta velocidade se aventurando pela paisagem turística da cidade Ele perdia o controle na direção saudável  Pra quem pegou o biscoito da sorte E na minha vez foi brusca tentativa quase falha de enxergar fio vermelho em vista embaçada  Com as mentiras e os encaixes das faltas A garrafa de vinho e o amor que embriaga Como a flor que retrata aquela data  Como o olhar que se devora e como escrever sobre o bonde pra ganhar alguns instantes. /JuhCruz

Fotos(Síntese)

 No peito dela há dois jardins de flores As ressecadas e as pálidas que logo fizeram a foto com a síntese e hoje renascem O amor ainda bate na aorta ,muita das vezes quando não solicitado As vezes um pouco embriagado e até  de forma antecipada Umedece e aquece as arestas das pernas e dos lábios Inunda tudo de todos os lados São leves os toques e que se dane os danos de afetar e ser afetado Pássaro de vôo longe que faz morada no peito Caminha ao vento em dias densos Equivale ao peso que corresponde o medo Endividou-se com a pressa do urgente Mudou-se de cômodos e adereços Fez as pazes consigo mesmo e o tempo Ora,não se vás Carlita Não,sem antes sentir o cheiro das minhas pétalas que floresceram em sua presença. ~JuhCruz

Sede

Eu tenho sede, eu mesma peço as taças e peco em terças  Em doses ofegantes de dolorosas preces  estive demasiada em tempo  que propõe grades e esquinas que atropelam  Um telespecta(dor) Infringe os conformes e ultrapassa a derme  Nas curvaturas íngremes que  permeiam o excesso Singelos toques que apertam e aquecem  Porvir de prosas poéticas, sacia a lírica e cospe as faltas de afeto Ainda bebe dessa água e suspende os pés pela torre  Escreve breves cartas e as joga pela janela Não se acomoda em quedas  E tem sede. ~Juhcruz

Serasa(rando)

Calor humano derretendo as calotas do corpo Borboletas dando piruetas por dentro do estômago  Regadas de gota a gota entre os olhares que se encontram  Como flechas que ultrapassam e acessam o mais íntimo dos toques  Com medo de escorrer líquido que machuca,com medo de penetrar entre a derme lesionada  Sentidos árduos que clamufam a permissão de sentir abertamente  Amores antigos que deixaram detritos  Verbos não conjugados ao tentar dizer o que sinto  Um coração em restrição no Serasa  Sarando as dores,e retornando aos poucos à Praça. ~JuhCruz

Uma torre ,Martírios e Entrelinhas

Vamos ter que descer dessa torre, escorregar e quase morrer de fome Serei veterana  Eu recito  Eu vestígio  Eu martírio do que está porvir  Eu sou íntimo dos tropeços  que me assombram  Pelo vale das sombras  Minha boca tem paladar vitalício do gosto amargo  Enquanto a cidade desmorona ,eu sinto sua falta  O copo que prometeu te embriagar,não me prometeu amparo  As juras de amor não se encontram mais vivas aos detalhes  Que todas nossas faltas,não nos coloquem mais em caixas e nem torres  A liberdade condenou minha falsa expressão de autonomia  Eu transmuto,eu transmito poesia  Sou as rochas cinzentas da superfície Entrego cartas aos ventos que  sussurram o despertar da razão e acordes em meus ouvidos  Onde o amor cava afundo ,faz birra e moradia  Sejam românticos os adeptos Meu ser comporta o mais profundo dos afetos  Faceto gesto de ir embora e evitar despedidas impe...

Vôo

Quando os olhos se beijam e a peles se tocam  Os dedos molhados escapam,se beijam entre os ventos e abrem as asas  Aterrissam de cara no encontro Tropeçam da estante e no instante seguinte sente pra escrever poesia Senta em frente a varanda de casa pra saborear as bordas Lambe os dedos encharcados e ainda manda mensagem Bicho instruído é o amor, Sabe amar e subir na árvore  Não tem medo do alto ,pula os muros ,cutuca as feridas e arrebenta as catracas Vem pra inundar as beiras rasas,se joga como carta com linhas soltas e vastas  Deixa o corpo mole e o sorriso arretado  Quando os olhos se beijam,haja impulso pra voar sem pouso Se até os mais ágeis e lindos pássaros precisam repousar  Quem vai me repor amor  Quando  -lhe faltar. ~JuhCruz

Trancas arrombadas

No meu lençol de aromas frescos  Passaram -se pelas bordas ,esquivaram-se das trancas  Empanturrados de dedos entre os dedos  Você de dedo à toque  Dedilhou o meu peito  Tirei os sapatos e as roupas secas  Encharcada com todo esse anseio  Acendi essa brasa,enchi essa taça de vinho e deixei de lado os problemas  Paisagem é isso  Você nua pedindo um pouco mais de poesia  As versões anteriores de todas nossas tentativas falhas de se beijar  Entre o garoar da chuva e o nascer do sol pela perda da noção de tempo  O murmurar do cochicho dos vizinhos ao nos verem de boca no tambrone  Tocando a melodia harmônica dos nossos corpos misturados e sedentos  Claro,que depois dos goles de vinho  Ainda mais estimulada ,meio tonta subindo as escadas  Vasto caminho entre as pernas que andam e as pernas gozam  e quem goza? Nós juntos em cadarços  Mesmo que lenta no trajeto emoção miocárdio...

Coleção

Coleção de amores constituídos e corações partidos  Já que ninguém segue intacto um do outro Tu fez questão de penetrar o olhar das curvas mais íngremes de meu corpo estirado Caminhou entre a carne que dá sustância ao estrago  Se deitou na cama do novo amor com os pés descalços  Logo tirou as roupas molhadas ,abriu a janela e acendeu um cigarro Um trago breve de fodas fartas  Nem tomou cuidado com os tropeços na pilha de amores passados da estante quebrada Encontrou pedras nos instantes calados e apertos em abraços não dados  Extremos sólidos descarados  A dosagens de nossos desejos despidos não cabem mais dentro de caixas. ~JuhCruz

O cravo que te roseia

                                                    O cravo que te roseia Covalente seja nossa química  Crônica cardíaca de um amor subestimado  Atrasada demais pra entender metáforas dignas  Pontual como o pôr do sol pela janela  Sentir rasgar o peito pra quem fica  Mas custa causa a pergunta  Quem estava? Sufoquei de porta aberta Mergulhei no raso trato  Incessante como a chama na brasa do beck De se queimar com a ponta na boca  Piteira de versos  Estar contigo é dar mão ao perigo  Perito zona da leste  Teste que reste muito amor pra ressignificar  Pouca vontade de aceitar que não deu certo  É tipo tomar cuidado entre o vão do destrate e a saudade  Ponte sucinta pra versos criados  Tempo ligeiro e folgado  Pedi explicação e me deu espaço  Dedicar ...