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Malembe

        António José Forte, SÓ ME CALAREI PARA TE AMAR MAIS (cartas a Amélia Bento), edição            Antígona. O sol na fresta me envia teu brilho mais iluminado  nas tardes ensolaradas. São raios, faíscas, labaredas, sobejos e alguns tragos Pretinha iluminada, renasce como as manhãs de um favo. Só o mel da tua voz pra declamar em palavras Uma imaginação aflorada  a cada ligação, o sabor da atração em cada estação do seu corpo  Logo agora, agora entendo o sorriso Ele que nunca entendeu. Se não fez amor com você, faço eu na distância destes versos molhados. Nega doce, articulada, só você — lá da Espanha — pra conseguir me derreter aqui no meu país Itaquá. Sem artimanhas, me enfeitiçar com essa manha Tudo pra desenhar no esboço e fazer passeata desse sorriso cacau Pura realeza Fiquei deslumbrada e no retorno do encanto formamos a circularidade. Pretinha, nóis é mídia. Eles são desfocados. ...
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Paradeiro dos finais suspensos

                          José Carlos Barros, TALUDES INSTÁVEIS (Poemas Escolhidos), edição D. Quixote. gosto de andar pela língua portuguesa ultrapassar os limites das estrofes entregar tentativas e esboços rasgados faço das entrelinhas a minha morada mais implícita moro tanto na palavra que nem volto pra casa sou inquilina da sílaba pago o aluguel com fôlego e poesia me despeço de algumas rimas ainda sinto a brisa mais fina invadindo os poros táxis lunares percorrem hectares das suas, minhas antigas histórias minhas vivências não são falhas — são mapas desenhados ao pé da letra no contorno da alma sou apaixonada pelo início me casei com o meio e ainda tenho birra dos finais compulsórios não chamo de intriga chamo de circularidade da sobrevivência poética costumo nomear de retorno os giros que nunca podem parar retomo minhas falas minhas linhas confecciono folhas novinhas cartolinas esculpid...

Quintal de casa

                                          — Fabrício Corsaletti, no livro “Perambule”. (Ed. 34; 1. Edição [2018]). A saudade é uma criança que corre a solta no quintal de casa Tipo, joelho ralado e muito sol pra iluminar a quebrada A pipa no céu são como o sobrevoar das dificuldades, aquilo que você sempre acreditou na curva do laranja Com saudade de si, saudade da terra, saudade de correr descalço Aquele gole do filtro de barro, salada com os amigos, puro sal que hoje virou saudade Mais tarde se deparar com a corrida por minerais não dá para precificar a vida, a mãe da rua agora é a mão invisível do Estado, afaga com promessa e te deixa em nada Ficar por nada não é a matéria, o abrupto dos prédios, renascer sob o asfalto quente O sangue que ainda jorra pelos furos, pelas veias de um jornal Essa cidade manchada não cheira outra coisa senão o medo   Eu deixo nas tuas e...

POEMA TERAPÊUTICO

               Safo, POEMAS E FRAGMENTOS, tradução de Eugénio de Andrade, edição Assírio & Alvim. Eu me permito... Amar e ser amada pela simplicidade de uma vida iluminada, captando a natureza e a poesia instalada nas pequenas grandes coisas do cotidiano. E, com essa permissão, nunca esquecer de colocar a carapuça no cabide, assim como não esquecer dos ancestrais que antecedem a minha força espiritual pra equilibrar a tríade da vida. Eu me permito errar e aprender com estes erros. Me permito exercitar as cores e valores entre o perfume da rosa e o corte da espada. Me permito me conectar com Deus e o Espírito Santo que se manifesta em todas as nuances da vida, assim como preservar o meu Orí na diáspora. Me permito ser feliz com a minha verdade, mas nunca esquecer da metamorfose dessa mesma verdade afiada. Me permito ser íntegra com a bondade até a segunda página de uma relação desrespeitada, assim como me permito me retirar de lugares e relaçõe...

MANIFESTO À CRISTO

                                                            António Gancho, O AR DA MANHÃ, edição Assírio & Alvim. Já tem tempo que eu penso Prudente e sagaz com erros e acertos Nunca me esqueço, Jesus eu sei que essa dor não te representa Mas, eu também sei que encontramos na mesma dor que veleja Entre o corte da espada e o perfume das rosas, nois segue versando O senhor lá do altíssimo e eu aqui na selva de pedra Estamos todos sofrendo juntos e dói o pesar de suportar tudo isso ao vivo   Eu sei que oras por mim, acredito em ti porque tu sempre acreditou em mim Um amor tão puro e límpido fora da mentira e do ganho ,mais reluzente que o sol , entregou em corpo e alma e por isso nada existe fora da mente do todo, consigo enxergar o teu esplendor no cotidiano Obrigada por me abençoar com a poesia, também amo as parábolas e ...

SONETO DO TEMPO

  — André Tecedeiro, no livro “Número de Strahler”. (Editora Do Lado Esquerdo; 1.ª edição [2018]). O tempo passa e eu ainda amo esse sol dourado EU ardo com as labaredas, tenho o corpo quente acordo a noite com um calor que eu nem entendo A minha crônica é uma vida inteira, e de tudo que tanto falam de mim muita poesia e pouca ideia pra lock, até querem inverter o laudo E eu que nunca entendi o abismo de oportunidades E quando eu passo na rua, tem irmão na calçada Dilacera o peito, não deixar de relatar o que os olhos fotografam Minha periferia vivendo o lamento e eu fazendo o cântico desses versos alados Eu não preciso que você valide os fatos A poesia vive em mim, deslizando na palavra pra fazer contato Obrigada Evaristo por me mostrar o caminho,Carolina minhas lágrimas se enchem de potência  Escreviver naturalmente sob a lente da vida me mostrou cada centímetro das coisas que não são vistas Ou melhor que fazem embaçar com a falsa noção de moralismo O meu coração ...

ENCANTARIA

  - Al Berto, Diários, Assírio & Alvim ENCANTARIA                                                                                                                                                          Recado: Aquela noite no Tatuapelas, a rua era só um palco pra toda a sua beleza A preta mais charmosa e foi quando olhei pro momento pra dizer o que sinto E quando resgatei na retina,eu vi a tua formosura, filha de oxum, eletricamente linda Um corte no teu beijo pra molhar a palavra O meu coração em chamas, avistei encantaria na sua áurea Mulher inteligente, fiquei pensando em como o poema conduz pra ...