— André Tecedeiro, no livro “Número de Strahler”. (Editora Do Lado Esquerdo; 1.ª edição [2018]).
O tempo passa e eu ainda amo esse sol dourado
EU ardo com as labaredas, tenho o corpo quente
acordo a noite com um calor que eu nem entendo
A minha crônica é uma vida inteira, e de tudo que tanto falam de mim
muita poesia e pouca ideia pra lock, até querem inverter o laudo
E eu que nunca entendi o abismo de oportunidades
E quando eu passo na rua, tem irmão na calçada
Dilacera o peito, não deixar de relatar o que os olhos fotografam
Minha periferia vivendo o lamento e eu fazendo o cântico desses versos alados
Eu não preciso que você valide os fatos
A poesia vive em mim, deslizando na palavra pra fazer contato
Obrigada Evaristo por me mostrar o caminho,Carolina minhas lágrimas se enchem de potência
Escreviver naturalmente sob a lente da vida me mostrou cada centímetro das coisas que não são vistas
Ou melhor que fazem embaçar com a falsa noção de moralismo
O meu coração partido com a desproporção que permitiu meu ente querido morrer na fila de espera, foi tanta sequela
Eu não quero mais falar desse sofrimento, sigo no movimento de quando o amor encontra o peito
o amor preto pra descansar no colo e morar no dengo
E dizem que quando fisga dá pra ouvir o grande entrelace no templo
Por trás de cada semblante ,uma história inteira
Entre amores e guerras cotidianas cravamos a nossa marca no tempo
O tempo passa e eu ainda pego a mesma linha de trem
me deparo com pessoas que jamais verei novamente, eu ainda tento me reconectar com o momento
Eu guardo na retina, não tem jeito.
/JuhCruz
Comentários
Postar um comentário