Emanuel Jorge Botelho, SOMBRAS E OUTROS DISFARCES, edição Averno.
Acordo cedo pra salvar os domingos com a Liniker, meus versos cardíacos em chamas, vivência tipo maldita
Na corrida do lucro o cheiro é mal de ponta a ponta
E na janela do trem chorei pela senhora pretinha voltando do trampo, cansada assim como eu escorada no canto, almejando um descanso
Saturada em fazer mais que o esperado, revisitar o passado, enfrentar os percalços
Reflito, despenco na realidade e faço uma oração que guia minha estrada
Querido, domingo de poesia e nostalgia, não me deixa desistir das tentativas
Reinicia a minha semana com sagacidade e que Deus me livre das fábulas de esopo das grandes massas, esses filhos da puta engomados
Não acompanham o meu folego, não enxergam a minha palavra
Lá fora o corre é todo dia e do telhado de casa ouço a esperança melodramática embaixo de cada caixa d’água
Os domingos são dos artistas, dos que morrem e vivem de amor e dos encontros na praça
Domingo dos poetas seresteiros enamorados
Da areia preta e do arco íris, cor de sangue, carne e agonia
Não sei se vem de Deus do céu ficar azul, mas sempre soube que a chuva eram as lágrimas do meu painho
Falei com Deus sobre amor e ele me disse que aqui já estava
E eu que não posso perdoar o sistema canalha
Não posso render pro Estado e por isso pego a contramão "marginalizada"
Pra você, sou vagabundo
pra minha quebrada, vagabundo alado
Romancista das ruas, nessa via juntando os cacos
Não aquela meia verdade, um pouco mais que o detalhe
Nas fotografias que os poemas pintam, na força que os sentimentos ladram
Subindo e descendo a ladeira de casa onde meus sonhos são triturados e meus amores sucateados
Por ninguém mais, ninguém menos do que...você sabe
E quando eu for embora diga a Domingas que descobri a verdade
Distraídos venceremos mais a cada batida do coração iluminado.
/JuhCruz
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