gosto de andar pela língua portuguesa
ultrapassar os limites das estrofes
entregar tentativas
e esboços rasgados
faço das entrelinhas
a minha morada mais implícita
moro tanto na palavra
que nem volto pra casa
sou inquilina da sílaba
pago o aluguel com fôlego e poesia
me despeço de algumas rimas
ainda sinto a brisa mais fina
invadindo os poros
táxis lunares percorrem hectares
das suas, minhas
antigas histórias
minhas vivências não são falhas —
são mapas desenhados ao pé da letra
no contorno da alma
sou apaixonada pelo início
me casei com o meio
e ainda tenho birra
dos finais compulsórios
não chamo de intriga
chamo de circularidade
da sobrevivência poética
costumo nomear de retorno
os giros que nunca podem parar
retomo minhas falas
minhas linhas
confecciono folhas novinhas
cartolinas esculpidas no marfim
sobre rosas que flertam com teu coração
suspirando nossos caminhos
iluminando a direção.
/JuhCruz e Maria Vitória
– Carlos Drummond de Andrade, no livro "Antologia Poética. – 22.ª ed. – Rio de Janeiro Record, 1987. Tudo começou com um sol na moleira dos poetas apaixonados vivos traídos e mortos lembrados, todo dia uma chance de renascer na simplicidade Das tardes ensolaradas que tanto fazem chover por dentro O domingo numa velha história de quebrada, rua de pedras estreitas Lembro das crianças brincando lá fora, chuta lata, tubaína na sacola, pipa, jogar bola Como Moíses e aquela rocha, mais que real encontrar força na memória fazer do valor uma lição, recontar histórias Cada labareda queima onde o suor escorre, quem não vê cara, não vê corre Quem dera voltar a correr descalço sob o asfalto que abriga tanto descaso É que anda fácil demais ser confundido e ter a vida ceifada o Estado financia a fome e investe no tráfico, depois encena na mídia a falsa guerra contra as drogas com o meu rosto estampado Meu povo vivendo às margens da violência, eles falam de escolha e no...
❤️
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