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Paradeiro dos finais suspensos


                          José Carlos Barros, TALUDES INSTÁVEIS (Poemas Escolhidos), edição D. Quixote.


gosto de andar pela língua portuguesa
ultrapassar os limites das estrofes
entregar tentativas
e esboços rasgados
faço das entrelinhas
a minha morada mais implícita
moro tanto na palavra
que nem volto pra casa
sou inquilina da sílaba
pago o aluguel com fôlego e poesia
me despeço de algumas rimas
ainda sinto a brisa mais fina
invadindo os poros
táxis lunares percorrem hectares
das suas, minhas
antigas histórias
minhas vivências não são falhas —
são mapas desenhados ao pé da letra
no contorno da alma
sou apaixonada pelo início
me casei com o meio
e ainda tenho birra
dos finais compulsórios
não chamo de intriga
chamo de circularidade
da sobrevivência poética
costumo nomear de retorno
os giros que nunca podem parar
retomo minhas falas
minhas linhas
confecciono folhas novinhas
cartolinas esculpidas no marfim
sobre rosas que flertam com teu coração
suspirando nossos caminhos
iluminando a direção.

/JuhCruz e Maria Vitória


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