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Malembe


        António José Forte, SÓ ME CALAREI PARA TE AMAR MAIS (cartas a Amélia Bento), edição            Antígona.


O sol na fresta
me envia teu brilho mais iluminado 
nas tardes ensolaradas.

São raios, faíscas, labaredas, sobejos e alguns tragos
Pretinha iluminada, renasce como as manhãs de um favo.

Só o mel da tua voz
pra declamar em palavras
Uma imaginação aflorada 
a cada ligação, o sabor da atração em cada estação do seu corpo 

Logo agora,
agora entendo o sorriso
Ele que nunca entendeu.
Se não fez amor com você,
faço eu na distância destes versos molhados.

Nega doce, articulada, só você — lá da Espanha —
pra conseguir me derreter
aqui no meu país Itaquá.

Sem artimanhas, me enfeitiçar com essa manha
Tudo pra desenhar no esboço e
fazer passeata desse sorriso cacau

Pura realeza
Fiquei deslumbrada
e no retorno do encanto
formamos a circularidade.

Pretinha,
nóis é mídia.
Eles são desfocados.
Esses caras nem tão ligado
A gente enfrenta tudo, voltamos algumas casas.

No teu coração eu faço morada
Tão pretita fazendo o corre, tão incrível fazer parte.

Não quero ver teu sorriso magoado,
Só quero a nossa noite azul
e os versos que não chegaram
ao quarto
três
dois versos costurados.

Tudo que ficou
nas entrelinhas —
cores, valores, desfalques.

Nosso encontro vem do continente, nosso olhar vem da base.
Somos tanto banzo quanto ancestralidade.
Vivendo na diáspora, reconectando laços

Toda noite é festa, coroam você no meu coração.


Liguei só pra dizer :
Olha o sol —
É demais essa cidade
A gente ainda vai ter
um dia de calor.
Teremos um dia de contraste.

/JuhCruz


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