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Embriaguez


Tome o tempo que for
Tome cerveja nos bares de esquina
A vinheda que produz o vinho de primeira
O Gozo quente depois da transa fresca

Tome cuidado nas noites tensas,
Nas intensas seja a devassa que consente
Que instiga um beijo ardente
Lá em baixo
Fervendo
Entre as curvas das pernas arreganhadas
E trêmulas
Tome o tempo que for
Seja o ponteiro do relógio romano
E não os apontes dos dedos alheios
Dos teus dedos , só quero sobejos sedentos
De mim

Tome as horas ao seu tempo
Chega de se sentir sobrecarregado , esgotado 
Por cobranças e responsabilidades internas
Imagina a vida
Sem a negação dos prazeres da terra ?!
Seremos espíritos livres , mais leves
Não se preocupe com a regra
O espírito cativo se afirma , jamais abnega

Tome o gole de que nada é eterno
Temos dúvidas e incertezas

Tome uma pinga com o amor
E em circunstância nenhuma,
Espere que o outro sinta da mesma maneira

Tome nota dos teus erros
Não seja a propaganda abusiva de quem usa ,deturpa e dispensa

Tome todos os líquidos da consciência
Entenda
Não há manual de sobrevivência
Existem pessoas na mesma situação de decadência
Tome todas e todas
E fique bêbada
Tome o tempo
O vinho
O gozo
A cerveja

A embriaguez criativa é renascentista
Sou freguês cada uma das vezes que me sinto perdida

No balcão de apoio
Eu só quero caneta e papel de besta
A Razão pela Arte é o copo pelo veneno
Morro gole a gole
Pouco a pouco
Verso a verso
Mas, só morro do meu jeito.

~JuhCruz


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