
Semana passada sangrei na rua sete
Não morri, imediatamente como previu o blindado
Então,os ancestrais mais antigos
Sussurram sobrevivência e resistência em meus ouvidos
Como sempre disseram : Vitimismo.
Mas,não tem ferida que me pare
Tem farpas da farda no meu corpo marcado
Tem mancha de sangue da noite passada
E se viver é essa mentira camuflada
Eu vim pra denunciar tanta morte disfarçada
Onde a famosa bala perdida não é tão desinformada
A cada 23 minutos encontra a pele preta pobre e farta
E na manchete do dia
Eles nem vão dar ênfase no real acontecido
Nossa dor tá virando matéria pra jornalista vender audiência nas telas
De quem pinta com o sangue da periferia
Extermínio estrutural que tem raízes na origem da escravatura
Abolição de malfeitor buscando novos consumidores pra economia
Não dá confiar na libertação histórica que nos repudia
Que não nos deu perspectiva,recursos humanos,moradia
A mente na neurose de quem sofre com os retrocessos entre diversas opressões
Nos mostraram o caminho pra percorrer
Descalço com fome,frio e pregos no chão
Mas,não tem ferida que me pare
A revolta da chibata
Ecoando o grito do combate
Me gritaram negra ,respondi :
PRESENTE,MARIELLE FRANCO
AQUI E SEMPRE !
Isso aqui é um relato
Nos retrocederam na História
E até hoje matam nossos filhos com uniforme da escola
Um alarme que sinalizaDOR dispara a cada golpe de ódio
O semblante é cansativo
Nossa luta é todo dia
Antigamente quilombos ,hoje periferias
Mas,não tem ferida que nos pare
O reparo sendo traçado
A militância começa reivindicando as migalhas da liberdade
E da próxima vez que eu ouvir a palavra : "VITIMISTA"
Já sabem : "FOGO NOS RACISTAAAA! "
~JuhCruz
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