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Mostrando postagens de 2026

Malembe

        António José Forte, SÓ ME CALAREI PARA TE AMAR MAIS (cartas a Amélia Bento), edição            Antígona. O sol na fresta me envia teu brilho mais iluminado  nas tardes ensolaradas. São raios, faíscas, labaredas, sobejos e alguns tragos Pretinha iluminada, renasce como as manhãs de um favo. Só o mel da tua voz pra declamar em palavras Uma imaginação aflorada  a cada ligação, o sabor da atração em cada estação do seu corpo  Logo agora, agora entendo o sorriso Ele que nunca entendeu. Se não fez amor com você, faço eu na distância destes versos molhados. Nega doce, articulada, só você — lá da Espanha — pra conseguir me derreter aqui no meu país Itaquá. Sem artimanhas, me enfeitiçar com essa manha Tudo pra desenhar no esboço e fazer passeata desse sorriso cacau Pura realeza Fiquei deslumbrada e no retorno do encanto formamos a circularidade. Pretinha, nóis é mídia. Eles são desfocados. ...

Paradeiro dos finais suspensos

                          José Carlos Barros, TALUDES INSTÁVEIS (Poemas Escolhidos), edição D. Quixote. gosto de andar pela língua portuguesa ultrapassar os limites das estrofes entregar tentativas e esboços rasgados faço das entrelinhas a minha morada mais implícita moro tanto na palavra que nem volto pra casa sou inquilina da sílaba pago o aluguel com fôlego e poesia me despeço de algumas rimas ainda sinto a brisa mais fina invadindo os poros táxis lunares percorrem hectares das suas, minhas antigas histórias minhas vivências não são falhas — são mapas desenhados ao pé da letra no contorno da alma sou apaixonada pelo início me casei com o meio e ainda tenho birra dos finais compulsórios não chamo de intriga chamo de circularidade da sobrevivência poética costumo nomear de retorno os giros que nunca podem parar retomo minhas falas minhas linhas confecciono folhas novinhas cartolinas esculpid...

Quintal de casa

                                          — Fabrício Corsaletti, no livro “Perambule”. (Ed. 34; 1. Edição [2018]). A saudade é uma criança que corre a solta no quintal de casa Tipo, joelho ralado e muito sol pra iluminar a quebrada A pipa no céu são como o sobrevoar das dificuldades, aquilo que você sempre acreditou na curva do laranja Com saudade de si, saudade da terra, saudade de correr descalço Aquele gole do filtro de barro, salada com os amigos, puro sal que hoje virou saudade Mais tarde se deparar com a corrida por minerais não dá para precificar a vida, a mãe da rua agora é a mão invisível do Estado, afaga com promessa e te deixa em nada Ficar por nada não é a matéria, o abrupto dos prédios, renascer sob o asfalto quente O sangue que ainda jorra pelos furos, pelas veias de um jornal Essa cidade manchada não cheira outra coisa senão o medo   Eu deixo nas tuas e...