“Lampejo”, de Ferreira Gullar.
Um corpo no mundo navegando em setes mares
7 leis universais e o medo surreal de descobrir que sou uma farsa
antes descobrir do que ser desmascarada
escuto o que a cidade fala, carrego minhas tralhas
Os meus a rataria roendo a rua pelas beiradas
Minha tríplice, minha rapeize ,minha família ,minha quebrada iluminada
A rua é escola , desobediência civil onde o corre não para
Subindo e descendo o Manefa, estilo livre até depois que o mundo acabe
Sociedade é caos ,resgatar a herança e união pra batalha
Cabeça erguida, caminhos abertos e o corpo fechado
Resisto a babilônia enquanto o plano é estruturado,
análise de fato é na vivência ,a história que não se conta ,o preconceito
enraizado
Nada fácil ver os meus em situação de extrema carência
Lágrimas negras escorrem todos os dias ,já não aguento mais esse cénario
Alquimista da marginalia no embalo que a vida emenda
Velejo a dor é a delícia de ser quem sou entre vitorias e perdas
O solo já não é o mesmo e a saudade lateja
coragem ,a malícia e a minha brazuca ardendo cotidianamente a correnteza de um povo valente
Creio onde a luz me segue, minha prece é estancar essa dor inquilina onde lágrimas são pagamentos
Faço a sombra de todo iluminado que mantém a chama acesa
De onde nascem os sambas eu sei, não sei é o que querem de mim
e assim me despeço das expectativas alheias
Faço dessa vida semente no meu jardim suspenso
Percorro a rua e todos os sonhos do mundo, coloco minha gravata florida e um sorriso decorado com esperança, amor e o poema
Tudo é movimento e minha revolta carrega recontar a história e a luta por sobrevivência
Quem dera viver em paz ,sem ter que sofrer e sem ter que chorar
Milhas e milhas por andei e ainda andarei
23 anos de versos ilegais nas escrituras marginais dessa cidade manchada, a
imagem do crime da fotografia mais procurada
Pela palavra, pela escrevivência e tudo que nem cabe no verso
A rua é nois e não desistiremos tão fácil.
/JuhCruz

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