Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de agosto, 2025

ENCANTARIA

  - Al Berto, Diários, Assírio & Alvim ENCANTARIA                                                                                                                                                          Recado: Aquela noite no Tatuapelas, a rua era só um palco pra toda a sua beleza A preta mais charmosa e foi quando olhei pro momento pra dizer o que sinto E quando resgatei na retina,eu vi a tua formosura, filha de oxum, eletricamente linda Um corte no teu beijo pra molhar a palavra O meu coração em chamas, avistei encantaria na sua áurea Mulher inteligente, fiquei pensando em como o poema conduz pra ...

MAPA SENTIMENTAL DE SOBREVIVÊNCIA

  0 — José Saramago, no livro “Ensaio Sobre a Cegueira [epígrafe]”. (Editora Companhia das Letras; 1.ª edição [1995]). 1° ATO Não tenho luxo nem lápide de mármore, tenho memória — essa é minha eternidade. Retornar pra não esquecer,o meu avô que também passou por traumas, o amor que foi negado e assim respingou a própria dor nos seus afetos, dizia que a chuva era aviso, do tempo em que se lia o céu como quem lia o destino Vinda divina, minha rainha Carmelita, mãe, você é a deusa da minha vida Sou grata por tudo que sempre doou de coração pra me fazer feliz E hoje o Hip Hop me diz : a ancestralidade sempre esteve aqui. Tão viva quanto as rimas, batidas e melodias e a sensibilidade que nunca me deixou sozinha Hoje, leio em rostos brasileiros— mapas sentimentais de sobrevivência. 2°ATO Com os olhos bem abertos pra não piá de Tróia, eu vejo tudo e ninguém me vê Domingo é quando Deus tira folga e entrega a chave da cidade aos ditos malucos poetas de alma livre Aos Mc's, seresteiros,...

RETINA ||

                                          -Ana Costa dos Santos, VOO BREVE SOB O SOL, edição Círculo de Poemas O poema tira uma foto e descreve em palavras Os poemas são como máquinas fotográficas registram fotos do seu sorriso mais belo Guardam na retina pra fazer compressa Tão quente como a noite azul em teus braços Gingar no teu melaço, te quero entre dias e noites dessa cidade manchada Segue o teu destino, Rega as tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é a sombra De árvores alheias Não se perca nas esquinas, não pise na grama  Ame o próximo, peça perdão e volte 7 casas O tropicalismo na pele ,a utopia diária de um país que não se cala Tua presença é canção-tese, teu corpo é manifesto antropofágico come a saudade, engole o concreto, navega em fases Nosso amor tem sido retina, sim — mas também foi piscada, Paradoxo manso com a calma de quem já entendeu que o amor é movimento...

ESCADAS

António Gedeão, OBRA COMPLETA, edição Relógio D’ Água.                            INTERLÚDIO  ESCADAS O corpo em movimento tem o emaranhado dos meus sentimentos São tombos, saltos, quedas e por isso levanto cedo Pular dessa torre nunca foi fácil, quero viver como um passarinho avoado Cantando aqui e pousando ali nas linhas dos meus versos O vento assopra as lembranças, uma fenda de luz aquece o meu coração poético Processos que levam a lugares e andares através do tempo E quando soar a terça parte da noite mais um degrau será superado A vida me mostrou uma escadaria interna, esse é o interlúdio da minha escada. /Juhcruz