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Mostrando postagens de julho, 2025

ELA PARTIU VI

  — Larissa Telles, no livro “A vida é um café amargo-Deliciosamente amargo”. Amor ,meu grande amor Te quero sem hora marcada como as canções, paixões e palavras Olho no olho de cara lavada, muito fogo,pura água Pela cidade eu vou bebendo da saudade, sentindo o imaginário do nosso contato O sol dourado nunca foi tão lindo, passo por lugares onde nunca estivemos e mesmo assim  te sinto comigo A cidade encantada já não mais tanto brilho E assim eu vou pintando o seu retorno em cada esquina O soul,o jazz ,o blues ,o samba onde te levo comigo Ela nunca partiu ,de fundo a nossa realeza musical a maior das cantigas Me venha sem saber se sou brasa ,lava ou amor escorrido Pretona correria ,brilhante,safada ,tão linda Pergunto-me quem vai me mostrar o beguenaite das unhas? Sem pressa,sem peso ,conversa de bandida com verso, sonetos,desejos e carícias Essa nega malemba me levou pro seu encanto,me deixou na maresia Me levou pro teu sorriso,te dedico esses versos em rimas e melodias Pra m...

ELA PARTIU V

  — Manuel Bandeira, no livro "Belo Belo". (Editora Global; 1.ª edição [2014]) Minha amada, queria trazer-te os versos mais lindos esculpidos no mais íntimo do meu jardim suspenso espero que estes sirvam de boa simetria como nosso corpo pede Um melaço ligeiramente único tipo a noite pingando em asteriscos, corroendo alguns versos correndo alguns riscos sempre riscando esse disco que no meu coração virou samb a Quantas luzes brilham a vista que vale a ida? Prefiro viver o momento pra versar o que sinto e que delicia segue sendo ser fotografada pelos amores que tenho na retina alguns que já não fazem mais sentido, outros que fazem sentir além do tempo olhares, sobejos, gavetas e atravessamentos Amar é um movimento e não posso ser nada com tudo que tenho no peito E assim te amo como as faces do amor que podem mudar e até como o filme que colocamos pra assistir e dormimos no meio Minha pretinha de mel ,ninguém te ama mais que a madrugada Essa noite um pedaço do céu, noss...

Domingas

  CARTA A DOMINGAS — "Receita para a felicidade", de Lawrence Ferlinghetti, no livro "Vida Sem Fim". (Ed. Brasiliense; 1.ª edição [1981]). CARTA A DOMINGAS  Domingas, quanto você ganha pra me encantar? Vale quanto pesa uma nega que aqui passou e quis ficar e fitou num céu que pouco a pouco anoitece e a gente nem soubesse que era fim Na tua pele preta mora um Brasil resistência onde todo dia Domênica domingava num domingo de sol lá na curva do laranja pra tomar uma vitamina Lendo Quintana, Solano e Evaristo, mulher tropicana, linda como o canto do sábia naquelas palmeiras, linda como as canções da minha brazuca e o soar dos ventos Um sopro de contato reunindo energia pra te amar livremente Domingas como quem versa em segredo, escutando um samba de enredo, escrevendo através da vivência E se não fosse essa cidade tentando me matar milimetricamente em cada esquina talvez tivesse mais tempo pra falar das flores e até pra falar de utopia Domingas, tu és o avesso do c...

DOMINGANDO

Emanuel Jorge Botelho, SOMBRAS E OUTROS DISFARCES, edição Averno. Acordo cedo pra salvar os domingos com a Liniker, meus versos cardíacos em chamas, vivência tipo maldita Na corrida do lucro o cheiro é mal de ponta a ponta E na janela do trem chorei pela senhora pretinha voltando do trampo, cansada assim como eu escorada no canto, almejando um descanso Saturada em  fazer mais que o esperado, revisitar o passado, enfrentar os percalços Reflito, despenco na realidade e faço uma oração que guia minha estrada Querido, domingo de poesia e nostalgia, não me deixa desistir das tentativas Reinicia a minha semana com sagacidade e que Deus me livre das fábulas de esopo das grandes massas, esses filhos da puta engomados Não acompanham o meu folego, não enxergam a minha palavra Lá fora o corre é todo dia e do telhado de casa ouço a esperança melodramática embaixo de cada caixa d’água Os domingos são dos artistas, dos que morrem e vivem de amor e dos encontros na praça Domingo dos p...