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Mostrando postagens de julho, 2020

3°ato (LAUDO)

[Eu tenho uma doença na coluna, a de fazer crônica] As entrelinhas não são visíveis  ao olho nu  O amor escancara  Arregaça as vidraças  Escreve no cravo pra fazer sentir  Na missa dos poemas  e alguns socos no estômago A vida tem desses tropeços e cartas anônimas  Quintanas recolhem os cacos da estante quebrada Nossos olhos se beijam antes dos lábios Entontece esse ponto que parte  com pressa de pintar alguns quadros  O corpo andrógino escorre farto Devora cada fatia das faltas  Nosso encontro é o karma  Mistura de ressaca no copo  e a sede em êxtase no tato O fascínio no instante toca  o colapso da ruptura dos traços Poetas anunciam o laudo  Deveras morrer pra  descansar as dores do mundo nas costas. /JuhCruz

2°ato (Carta ao tempo com pressa)

Mesmo que as sólidas estruturas molhadas desse peito estirado  se partissem em incontáveis acasos e desencontros fadados Em suma constância ,ainda haveria partituras estilhaçadas ao som de Tim maia  Por entre as cartas e fichas na mesa  correspondentes da poesia a entropia e o efêmero  O desacato no desacerto  Inspirado na peça dos 3 atos numa  dessas tardes ensolaradas que tanto fazia chover por dentro  Colocara pra secar no quintal,próximo as camisetas floridas  e os amores atrasados De fato,entregaria cartas ao tempo pra tentar fazer as pazes  Só para deixar bem claro que jamais escolheria não sentir cada ato  Pulsa pelo último suspiro de excesso  na perícia dos átomos  No imerso do nosso a(mar) Que declama o 3°ato [naufrágio por uma tempestade no peito rasgado] /JuhCruz

1°Ato (O desacato)

O desacato no pulo da torre, Foi embriagar-se no vasto encontro dos olhos  Pelas trilhas que sucedem o desejo que comporta Aperta essa falta que tenta descrever no verso  Recolhe os corações partidos e as conveniências avoadas nos galhos  Despida de si com as as pernas suspensas Pula de teimosia em anseios  por caricatas confidências trocadas Sente estreito por passar pelas frestas  Costura os suspiros e a imensidão dos bem-aventurados  O amor desacompanhado compele além das vestes Reveste o molhado do beijo  e o úmido do corpo que vira copo Uma doença grave na coluna  Diagnóstico:       [ Cronista das entrelinhas em cada desacato          Tentou escrever ao tempo a         confusão de um presságio ] /JuhCruz

Ela partiu

Aos beijos dados  e constituídos Relações breves  e corações partidos  De cada pedacinho estirado ao chão Recolho com as mãos de tanto ter sentido Sinto muito  Sinto tanto  E não importa em quantos estilhaços se parta  Se ela já partiu ao som de Tim Maia  E nunca mais voltou  /JuhCruz

Escombros da praga XIX

Morei por um tempo com o peito rasgado em forma de tragédia  Foi uma época difícil  Composta com os grandes mármores  do isolamento e da ausência  De cara crua no imerso  Sem toque,só verso  Reeducados a emergir com a mudança brusca na sociedade  Sentir ser transmutavel Reconectar o amor além da matéria  Tomar um porre de doses ofegantes de dolorosas preces Com um corpo morno entre beijos  e olhares nada breves  Atravessar mergulhada numa grande revolução na vida e nos afetos  Reintegrei nos vínculos da cidade de pedra Com os corações partidos,olhares solitários e mecanismos de defesas  Amanhã começo em um novo emprego Gostaria que as memórias que me assombram  não me visitassem Deixarei as portas escancaradas  Entreabertas com os escombros da superfície pós-catástrofe. ~JuhCruz

Samba no a(mar)

E lá vem ela,estou de olho nela  Bela sereia no samba de enredo  permeando o excesso  Nunca prometeu ficar preferiu morar em meus versos  Pra onde vai ,ninguém sabe Embalada pelas curvas de um corpo esculpido E um peito estirado Por cada paladar insaciável do (a)mar Em cada borda consumida entre mastigar pra sentir o sabor e te devorar em detalhes  Caso escolha embarcar na sinfonia desse imerso fadado  Seja imensa consigo e se despeça das vestes pesadas  Fique descalço com a lua , Tome uns drinks e sambe à vontade. ~JuhCruz

TUA

Nossos corpos possuem o ângulo  de seduzir no benefício da dúvida  Atua como um quadro abstrato  de uma pintura renascentista  Uma tragédia greco-romana pela transgressão carnal do toque afetivo Um evento pra atravessar essa ponte que chamei de entropia Desperta desordem cômoda enquanto  aguarda um gole deste beijo sabor poesia  Toca-me com maestria Me convida pra sair qualquer dia  Furta meu sorriso  Que quando te vejo  me dilata a pupila  Por um nó na goteira  de estar à deriva  Versa essa manifestação sincera  de dois corpos em sintonia  Vem,mas não desperdiça nenhuma só linha Desenha,rabisca  Repinta essa tinta que arrisca esse amor desatado entre nós duas  Que nos quatro cantos do mundo  Mesmo quando sou minha, ainda  sou toda tua. /JuhCruz